sábado, 11 de junho de 2011

Momentos

“Que seja infinito enquanto dure”.

Lendo textualmente, a expressão não faz sentido.

Lendo poeticamente, a expressão afeta todos os sentidos.

Sim, todos!

Quando nos deparamos com momentos poéticos não vemos mais as coisas como antes, por vezes não vemos mais nada além do próprio momento, ainda que haja um mundo inteiro a girar a nossa volta. Se é que o mundo gira! Talvez sejamos nós a girar...

Nessas horas (que podem ser minutos ou mesmo segundos) a nossa audição também se mostra diferente, sendo capaz de detectar o menor dos rumores e se fazer surda ao que não faz parte do momento. Ouvimos apenas o que precisamos, embora o silêncio seja sempre mais alto...

Nesses parcos instantes, nosso olfato é capaz de reter um perfume na memória mesmo depois de não haver mais quaisquer resquícios dos produtos químicos geradores do aroma...

Nesse ínterim, o paladar consegue sentir sabores nunca antes experimentados, embora sonhados. Sabor de sonho, sabor de realidade, sabor de sonho...

Nessas ocasiões, o tato parece pensar e agir por si só, desempenhando funções que nenhuma fisiologia pudera antes prever. Cada milímetro de pele é capaz de conter a informação sobre o todo...

Enfim, as noções de espaço e tempo também se alteram. A bússola gira em todas as direções cordiais e não mais cardeais...

O momento tem começo, meio e fim, embora seja inútil tê-los.

O momento se inscreve, se escreve e se transcreve em si mesmo.

O momento...

2 comentários:

  1. Só nos falta silêncio para sentir...











    De práxis, caro professor,
    Fica com Dickinson,


    Emily Dickinson
    Hope

    Hope is the thing with feathers
    That perches in the soul,
    And sings the tune--without the words,
    And never stops at all,

    And sweetest in the gale is heard;
    And sore must be the storm
    That could abash the little bird
    That kept so many warm.

    I've heard it in the chillest land,
    And on the strangest sea;
    Yet, never, in extremity,
    It asked a crumb of me.

    anonim@

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  2. Car@ anonim@

    Em verdade, quando falei da "audição surda' não deixou de ser uma referência ao silêncio necessário e ao barulho desnecessário, mas creio que entendi sua observação...

    Agradeço o poema da Dickinson. Esperança foi apenas o que restou na caixa de Pandora...

    :)

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