Pra quem é da opinião de que este blogueiro está se
especializando em falar sobre cinema, essa postagem será mais uma evidência.
Mas já adverti antes e repito: não assistam filmes apenas porque eu comentei
aqui, ou pelo menos não assistam pensando de antemão que o filme é bom, até
porque gostos variam e o que me move a escrever em relação a filmes é mais “a
partir deles” do que propriamente “sobre” eles.
O filme desta vez é nacional e estava até alguns dias atrás em
cartaz: “O Homem do Futuro”. De antemão é bom que seja dito que embora o Wagner
Moura seja um excelente ator, um dos melhores da nova safra, sua atuação nem
chega perto de outra personagem sua, o genial Taoca de “Deus é Brasileiro”. Já
a mocinha (vilã?) do filme, a Alinne Moraes, embora não seja uma grande atriz,
ao menos não compromete o filme. O roteiro apresenta vagas semelhanças com “De
Volta Para o Futuro”, o melhor filme de viagens no tempo de todos os tempos [redundância
proposital]. É quase uma versão tupiniquim do megasucesso americano de 25 anos
atrás, mantidas as devidas proporções. Estão presentes as mesmas ideias de que
voltar no tempo e fazer mudanças é um risco e que o novo futuro resultado de
mudanças no passado pode não ser assim tão bom. Contudo, também está presente a
mensagem de que é possível dar “dribles” no tempo em benefício próprio, já que
a grande lição que esse gênero de filmes parece pregar, embora fiquem brincando
de ir pra frente e pra trás no tempo, é que devemos dar atenção ao “hoje”.
E é justo essa ideia que me chamou atenção no filme, que teve como ponto alto o perfeito casamento do roteiro com a música tema “Tempo Perdido” do saudoso Renato Russo (inclusive coloco aqui um trailer/clipe do filme/música) e que é uma ode ao hoje, ao viver o dia de hoje. Alguns de nós se preocupam demais com o futuro, outros insistem em tornar ao passado, alguns até gastam o seu tempo diário pensando em ambos, passado e futuro, e talvez a grande maioria de nós esqueçamos que a vida é agora, que está acontecendo ao nosso lado, nesse momento, e que “não temos tempo a perder”, que “somos nosso próprio tempo”.
Não estou aqui querendo pregar contra o planejamento e nem
mesmo contra a análise do passado, até porque como professor de administração
seria incoerência negligenciar tais ferramentas. Elas têm seu valor, tanto na
vida quanto nas organizações. Mas quero convidar a todos, inclusive e
principalmente a mim mesmo que me reconheço pecador pela falta de atenção
crônica ao dia de hoje, a pôr a cabeça para fora da janela nesta “viagem” da
vida e olhar o que está acontecendo, porque no dia em que chegarmos ao “destino
final”, será tarde demais para admirar, desfrutar e VIVER o “caminho”
percorrido. Como diria o professor pouco ortodoxo de A Sociedade dos Poetas
Mortos, Carpe Diem, “colha o dia”!
P.S.: muito boa a referência original ao “carpe diem” do
poema “Odes” de Horácio que trás a Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carpe_diem
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