Por que temos que ler e escrever sobre o que não queremos e
deixar de lado aquilo que gostaríamos de ler e de escrever? Agora mesmo estou
diante de vários textos que devem ser lidos nos próximos dias para o doutorado
e nenhum deles me é realmente atraente, embora até acredite que alguns (certamente
não todos) possam ser úteis (um dia...). De certo, apenas que a obrigatoriedade em
lê-los já me é um grande estímulo à não leitura. Meus melhores professores não só
foram aqueles que eram apaixonados pelos temas que discorriam, mas sobretudo ,
os que assim, apaixonados, nos deixavam enamorados. E assim,
apaixonados também nós, devorávamos tudo aquilo que nos era apresentado sobre o
objeto da, agora, "nossa" paixão. O professor não deveria ser aquele que
"passa" textos para serem lidos, mas aquele que assume pra si a
função de cupido entre o aluno e o conhecimento.
Mesmo com tantos textos "obrigatórios" para serem
lidos, resolvi me apaixonar assim meio que do nada, por um livro de filosofia,
onde a autora defende que "o foco define a sorte". Como todo apaixonado, mudo as minhas
prioridades e arranjo tempo para inserir nesse mesmo pouco tempo, um tempo para
minha recente paixão. A autora defende que a razão de muitos dos problemas
nossos de cada dia são decorrentes de sermos levados a adotar o paradigma da
escassez. Nele aprendemos que não há o suficiente para todos, então assim,
acabamos por pensar primeiro em nós (egoísmo), a acreditar que é preciso haver
perdedores e ganhadores (competição) e que é necessário guardar porque de certo um dia irá faltar
(acúmulo). Não precisa ir longe para
descobrir que esse é um modelo que privilegia poucos e exclui muitos. Em
contraposição, a autora defende a adoção de um paradigma diferente baseado na
abundância. Se imaginamos que há o suficiente para todos, então podemos
contribuir com os outros (altruísmo), agir de modo a que todos ganhem
(cooperação) e dividir os recursos de forma comunitária (partilha). Talvez isso
realmente se aproxime do ideal de desenvolvimento sustentável, que tanto
apregoam em discursos, mas pouco fazem em ações.
E pensando em termos de altruísmo, cooperação e partilha, o
dia de hoje me trás à memória um jovem italiano, de nome Francisco, que
viveu na cidadezinha de Assis, em tempos
passados, que em nome da visão da abundante graça reservada por Deus a todos os
homens e mulheres , renuncia a tudo, ou melhor, renuncia ao que nos torna um
nada. Abandona o status, o conforto e a riqueza da escassez e se veste do
status de irmão do sol e da lua, do conforto da brisa e da sombra, e da riqueza do viver em harmonia com todas
as criaturas do universo. Algo me diz que Francisco teria sido um excelente
professor universitário, pois teria feito seus alunos se apaixonarem pelo irmão
conhecimento e pela irmã sabedoria. São
Francisco de Assis, rogai por nós!
(*) Hoje, 04 de outubro é o dia dedicado a São Francisco de Assis
(*) Hoje, 04 de outubro é o dia dedicado a São Francisco de Assis
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário, sua sugestão, sua crítica!