terça-feira, 4 de outubro de 2011

São Francisco* para Professor


Por que temos que ler e escrever sobre o que não queremos e deixar de lado aquilo que gostaríamos de ler e de escrever? Agora mesmo estou diante de vários textos que devem ser lidos nos próximos dias para o doutorado e nenhum deles me é realmente atraente, embora até acredite que alguns (certamente não todos) possam ser úteis (um dia...). De certo, apenas que a obrigatoriedade em lê-los já me é um grande estímulo à não leitura. Meus melhores professores não só foram aqueles que eram apaixonados pelos temas que discorriam, mas sobretudo , os que assim, apaixonados, nos deixavam enamorados. E assim, apaixonados também nós, devorávamos tudo aquilo que nos era apresentado sobre o objeto da, agora, "nossa" paixão. O professor não deveria ser aquele que "passa" textos para serem lidos, mas aquele que assume pra si a função de cupido entre o aluno e o conhecimento.

Mesmo com tantos textos "obrigatórios" para serem lidos, resolvi me apaixonar assim meio que do nada, por um livro de filosofia, onde a autora defende que "o foco define a sorte".  Como todo apaixonado, mudo as minhas prioridades e arranjo tempo para inserir nesse mesmo pouco tempo, um tempo para minha recente paixão. A autora defende que a razão de muitos dos problemas nossos de cada dia são decorrentes de sermos levados a adotar o paradigma da escassez. Nele aprendemos que não há o suficiente para todos, então assim, acabamos por pensar primeiro em nós (egoísmo), a acreditar que é preciso haver perdedores e ganhadores (competição) e que é necessário  guardar porque de certo um dia irá faltar (acúmulo).  Não precisa ir longe para descobrir que esse é um modelo que privilegia poucos e exclui muitos. Em contraposição, a autora defende a adoção de um paradigma diferente baseado na abundância. Se imaginamos que há o suficiente para todos, então podemos contribuir com os outros (altruísmo), agir de modo a que todos ganhem (cooperação) e dividir os recursos de forma comunitária (partilha). Talvez isso realmente se aproxime do ideal de desenvolvimento sustentável, que tanto apregoam em discursos, mas pouco fazem em ações.

E pensando em termos de altruísmo, cooperação e partilha, o dia de hoje me trás à memória um jovem italiano, de nome Francisco, que viveu  na cidadezinha de Assis, em tempos passados, que em nome da visão da abundante graça reservada por Deus a todos os homens e mulheres , renuncia a tudo, ou melhor, renuncia ao que nos torna um nada. Abandona o status, o conforto e a riqueza da escassez e se veste do status de irmão do sol e da lua, do conforto da brisa e da sombra,  e da riqueza do viver em harmonia com todas as criaturas do universo. Algo me diz que Francisco teria sido um excelente professor universitário, pois teria feito seus alunos se apaixonarem pelo irmão conhecimento e pela irmã sabedoria.  São Francisco de Assis, rogai por nós!


(*) Hoje, 04 de outubro é o dia dedicado a São Francisco de Assis

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