segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Excesso de Passado... Excesso de Futuro...


Um amigo meu, psicólogo, colocou dia desses em seu facebook, que "depressão é excesso de passado e ansiedade é excesso de futuro". Por falar em psicólogos, deixo neste dia a eles dedicado, dia 27 de agosto, meus parabéns a todos os profissionais que trabalham com a psicologia humana. Hoje, respeito ainda mais o trabalho que eles realizam. A mente humana é maravilhosa mas pode se tornar um poço escuro e fundo de onde para escapar é preciso reconhecer que é necessário deixar que outras pessoas nos ajudem. Mas voltando à frase, parece mesmo fazer muito sentido... De certo, o excesso de presente deve ser o que chamam de felicidade. Na filosofia oriental é muito clara a ideia de que a infelicidade está associada a vivermos muito no passado ou no futuro.

Isso deve ser verdade, pois as sombras que me invadiram hoje tinham a ver com o passado e com o futuro. O coração estava aflito, ainda está, mas ao menos consegui viver um pouco, ainda que por alguns minutos, essa experiência do presente. Na minha última postagem comentei que estava lendo um livro, que estava na metade. Terminei-o de ler na segunda vez que o peguei. Pensei que é difícil não nos identificar com os livros que mexem com a gente, até porque, como disse Nietzsche, ninguém tira de um livro mais do que tem dentro de si. Pensando sobre o livro e sobre tantos outros livros que li, tantas outras histórias com os mais diversos fins, percebi que podemos nos identificar com uma coisa ou outra, que podemos aprender muita coisa com o que lemos, mas que nossa vida não é um livro, até porque somos muito mais que livros. Nos livros, ficamos a mercê dos desejos do escritor. Na vida, o autor dela, Deus, nos dá a chance de escrever a nossa própria história. Como diz a música, "cada um de nós compõe a sua história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz."

Pensei nisso quando me permiti, me forcei (mesmo) a viver o presente. Para resolver um pouco do que me afligia resolvi correr. Percebi apenas quando cheguei ao parque (onde fui correr), que havia esquecido o cronômetro. Fiquei um tanto quanto chateado comigo. O interessante é que era uma chateação completamente desnecessária, pois eu não pretendo me tornar atleta, não estou buscando bater recordes, apenas queria monitorar, controlar, anotar meu próprio tempo, analisando meu desempenho a cada volta de 1km etc. etc. etc. Ou seja, uma inutilidade. Mas deve ser a coisa da competitividade masculina, que leva a gente a competir paranoicamente até com a gente mesmo, no passado, pensando num futuro. Excesso de passado... excesso de futuro... Mas não foi ainda aí que eu me concentrei no presente. Tentei correr em ritmos distintos cada volta, contar as passadas, perceber como estava minha respiração e meu cansaço de uma volta para outra, tentando projetar meu desempenho para volta seguinte etc. etc. etc. E olhe que o objetivo da corrida era desanuviar a mente. Excesso de passado... excesso de futuro...

Mas aí bateu o cansaço e bateu no meio de um volta. Precisava terminar o percurso porque o carro estava no outro lado do parque. E aí, distraidamente eu fui feliz, naquele resto de caminho. Sincronicamente, acreditem, enquanto escrevo isso, começa um filme na tv onde a personagem principal diz na primeira cena: "não existe caminho para a felicidade; a felicidade é um caminho". Pois é, foi isso que eu experimentei. Li-te-ral-men-te! Quinhentos e poucos metros de plena felicidade. Já havia passado cinco vezes pelo mesmo local naquela corrida mas não havia reparado nas crianças brincando no playground, nos adolescentes fazendo manobras radicais na pista de bicicross, nos jovens apaixonados, nos demais que caminhavam buscando uma vida saudável, nas flores, nas árvores. Me deixou tocado um galho de coqueiro que lutava para sobreviver. Mas o que me comoveu mesmo foi um pinheiro, que deve estar ali há anos e eu nunca o tinha visto. Ele começa totalmente torto, mas muito torto mesmo, é até estranho. Mas em determinado momento, ele se apruma e a partir dali cresce de forma perpendicular ao solo. Fiquei ali um tempo observando o amigo pinheiro, pensando nos porquês daquela estranha formação, foi quando ampliando a visão percebi o que aconteceu na sua história. Comparado as outras árvores que o cercavam, ele era muito mais jovem que as demais e estas lhe faziam sombras. Ele ficou torto para procurar o sol, para se livrar das sombras. Ele não podia mudar suas raízes, fazia parte da sua história, mas ele pôde mudar a direção que o levaria certamente ao tombo. E ele foi em busca do sol e quando encontrou, conseguiu se livrar das sombras, se tornou maior e mais forte. Sorri, pensando que o pinheiro teria muito mais exemplo a dar do que eu mesmo. Amigo pinheiro, pensei, obrigado pela lição de hoje à tarde. Obrigado pela felicidade ainda que momentânea. Obrigado por mostrar que devemos buscar um lugar ao sol, mesmo diante das sombras que fazem parte da nossa vida. Mais uma vez a ideia de que é preciso fazer as pazes com as sombras me assaltou.

A felicidade que encheu meu coração naquele momento foi cedendo lugar a outros sentimentos não agradáveis. Realmente somos homens de pouca fé como disse Jesus. Tudo estava claro, mas meu racionalismo insistiu em aparecer e pôr em dúvida a força do exemplo do pinheiro. Numa última tentativa de não perder a magia do momento, ergui a cabeça aos céus e pedi um sinal de Deus de que eu deveria manter minha fé no que "dizia" meu pinheiro amigo. Coisa bem racional essa de pedir sinais. Fazendo experiência com Deus, com dados para compor a amostra. Eita limitação humana... Mas Deus parece mesmo entender nossas limitações. Ele deve ter sorrido e pensado: "queres um sinal? Pois bem, no Pai-Nosso você pede que seja feita a minha vontade, mas tudo bem, hoje a minha vontade é que seja feita a sua vontade". E do céu caiu uma chuva fina, chuva que abençoa, restaura e dá forças. Chuva que mostra que a felicidade está no agora. E dos meus olhos também caíram água. Lágrimas que se misturaram ao suor e à chuva. Lágrimas de felicidade. Eu sabia que em breve o passado e o futuro voltariam para me afligir, mas em breve, enquanto isso eu era feliz e a certeza dessa felicidade me mostrou que é possível (mesmo) ser feliz e quando uma certeza se instala em nosso coração, em nossa mente, em nosso corpo, em nossa alma, é para sempre.

domingo, 26 de agosto de 2012

SINCRONICIDADE

Já acreditei em sincronicidade e deixei de acreditar. Quando acreditei, as coisas aconteciam de forma surpreendente. Mas em alguns momentos de racionalidade extrema me pus a duvidar da magia da vida. E tudo se desfez como que por encanto reverso. Não era racional, não era científico e, portanto, não deveria ser real. Mas como não podia ser real o que se sentia com maior intensidade? Essa dúvida fez com que, tempos depois, eu tornasse a acreditar ainda mais fortemente na sincronicidade. Foi quando me prometi em crer sempre na não aleatoriedade dos acontecimentos em nossa volta. Foi também quando fui mais feliz.

 Mas as tempestades da vida acabam minando nossa fé e quando passamos a duvidar parece que tudo passa a duvidar de nós mesmos. Nos últimos dias, mesmo tendo recebendo notícias que são do tipo que acabam com os encantos, me lembrei de minha promessa e uma série de eventos me fizeram voltar a perceber que crer na sincronicidade, na não aleatoriedade, nos planos de Deus, é um pré-requisito para viver plenamente. Sem isso, o que chamamos de vida é uma dissimulação nossa. Fazemos de conta que vivemos, mas apenas cumprimos um destino destituído de qualquer encantamento, de qualquer surpresa, daquilo que nos tira o ar, do que faz nossas pernas tremerem nervosamente e nosso coração acelerar. Certamente é mais seguro. E também mais triste. E sem alegria de que serve (mesmo) viver? De que serve essa suposta segurança?

Ao tentar deixar a sincronicidade fluir, experimentei novamente o fator surpresa. Não que tenham sido experiências colossais, na verdade foram coisas bem simples que muitos teimarão em dizer que trata-se de aleatoriedade, de acaso e até de algo insignificante. Bem, cada um pode ter sua opinião, sem julgamentos, mas também quero ter a minha. Quero ter a alegria de uma criança que se surpreende com as pequenas coisas todos os dias. Quero a certeza do não ter certezas. Quero acreditar na magia que faz com que um gesto apenas mude a vida inesperadamente. Não querer essas coisas é quase sinônimo de não querer viver. Sei que virão momentos de fraqueza, de dor, de desilusão, de racionalismo extremado, que vão me tirar a energia do ter fé, mas eu quero viver, aprendi a querer viver mesmo quando tudo parece não ter saída.

Mas deixe-me voltar às pequenas, prazerosas e surpreendentes experiências que fiz ao sabor da sincronicidade. Na primeira delas, um amigo me disse que eu deveria ser mais generoso comigo mesmo. Não me culpar tanto, não me julgar tanto, não levar tão a sério os julgamentos que fazem de mim, até porque certamente tudo está ligado aos julgamentos que faço dos outros. Esse amigo me falou ainda que preciso fazer as pazes com minhas "sombras". Todos temos nossos defeitos, nossas imperfeições. Obviamente precisamos corrigir muitos desses defeitos, dessas imperfeições, e quando outras pessoas dão destaque a esses defeitos e imperfeições, talvez seja a nossa oportunidade de refletir sobre nosso lado obscuro e quem sabe assim nos reconciliar com ele. Todos merecemos perdão, todos precisamos ser generosos conosco mesmos. Saí pensando sobre isso e no dia seguinte, tendo resolvido todos os compromissos a que tinha me disposto a resolver naquela tarde, acabei chegando bem mais cedo à aula de yoga. Peguei uma revista sobre yoga e ao acaso (acaso!?) ao ler as reportagens, parei, surpreso, em uma que falava exatamente sobre as nossas "sombras" e sobre fazer as pazes com nossas "sombras". Descobri inclusive que este é um conceito famoso do Jung e meu amigo também havia falado sobre esse grande psicanalista que é justo quem defende a tal da sincronicidade. Pode parecer ingênuo de minha parte... que seja, mas a alegria de perceber a ligação de fatos que até então eu nunca havia ouvido falar, isso em menos de 24 horas e justo quando me comprometi em acreditar mais nessa magia da vida, bem, essa alegria é daqueles sentimentos que fazem a gente querer estar vivo.

A segunda experiência que vivi também esteve associada a conseguir resolver rapidamente coisas que normalmente demorariam, tais como agendamento de exames e consultas médicas. Além disso o trânsito de Recife parece que resolveu colaborar e a fila do banco simplesmente não existia. De repente me vi com mais de uma hora e meia de folga para o meu próximo compromisso. Um shopping perto e algo me disse para atravessar a rua e entrar no complexo de lojas. Não tinha nada para fazer, mas também não tinha nada a fazer lá. Mas, "vamos lá", pensei eu. Andando pelo shopping a esmo, me lembrei que nele havia uma livraria da qual gosto. Achava que ela era no terceiro ou quarto piso (sempre me confundo nesse shopping) e quando estou a caminho descubro que ela fica no segundo piso. Quando entro na livraria procurando as novidades, meu telefone toca. Sinceramente nem lembro quem ligou e qual era o assunto, mas a ligação me tirou a atenção dos lançamentos e, distraidamente, me deparei com o livro "Querido John". Me falaram muito desse livro e do filme nele baseado, e embora esteja a meses com o dvd do filme em casa nunca o assisti, por razões diversas. Pensei em comprar o livro, mas deixei pra lá. Continuei a ligação, saí da livraria e fui até o último piso do shopping sem fazer absolutamente nada. Mas a imagem do livro não me saia da cabeça. Voltei à livraria e comprei-o. Em uma tarde li quase a metade dele. A história de como John conhece Savannah e de como o encantamento surge pouco a pouco entre os dois me deixou impactado por razões também diversas. Não sei como a história vai continuar. Estou exatamente no trecho em que eles descobrem que estão amando pela primeira vez na vida. John percebe que Savannah é o que de melhor já aconteceu na vida dele e ele sabe disso porque ele apenas sabe disso. É a certeza que vem do coração. Impulsivamente ele diz que a ama e ela corresponde dizendo que também o ama. Eles se conhecem a apenas quatro dias, mas eles têm certeza. E a forma como o Nicholas Sparks, autor do best seller, narra o encontro dos dois é perfeitamente crível. É o tipo de história que eu gostaria de contar um dia em um livro. E se eu conseguir começar meu próprio livro esse ano, compromisso assumido no final do ano passado comigo mesmo, como parte de uma atividade que fiz, certamente será por ter, "coincidentemente", me deparado com o livro que parecia insistir em ser lido. Vi que a magia do encontro, é a verdadeira magia da vida.  

Algo me diz que será inevitável ao menos uma postagem sobre o livro e o sobre o filme também, que vou assistir sim, mas só depois de terminada a leitura...

Por fim, a terceira experiência foi das mais singelas. Meio-dia deste sábado, olho para o céu e para minha surpresa lá está ela, a lua. De certo que vez ou outra se vê a lua ainda de dia, mas sempre no final da tarde, mas insisto que era meio-dia. Pensei: por que você está aí a uma hora dessas? Quem já leu outras postagens minhas sabe desse meu encantamento pela lua. Mas ela não me respondeu. Há tempos que não conversamos. De certo que alguém que entenda da física celestial me dará uma explicação científica-racional para o aparecimento da lua àquela hora. Mas meu coração insiste em buscar algo mais. Talvez eu nem me lembrasse da pergunta que fiz à lua, mas aí a resposta me veio horas depois. Neste sábado, durante o dia, morreu Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua. E durante o dia a lua no céu parecia estar a sua espera. Ele que tocou a lua literalmente e que, quero imaginar, passou toda a sua vida com saudade dela, enfim, estava indo ao seu encontro. O formato da lua lembrava o de um grande sorriso, meio que na lateral e em minha mente imaginei Armstrong chegando novamente à lua e ela com esse sorriso de braços abertos para abraçá-lo. (:

Eu sempre costumo pesquisar alguma foto no google imagens para ilustrar minhas postagens, mas hoje decidi exercitar outras linguagens que não só as palavras, encorajado que fui pelo encontro com o amigo que me falou para ser generoso comigo mesmo. Assim, resolvi eu mesmo fazer meus desenhos daqui para frente. Depois, quem sabe dê para se fazer alguma análise de mim por esses desenhos? E como primeiro desenho, nada mais oportuno do que imaginar o encontro da lua com Armstrong, astronauta no qual me vejo, me projeto e me personifico.

Quem sabe nas próximas postagens eu não descreva outros eventos tão mágicos quanto uma conversa, um livro e uma lua.

Sincronicidade...

sábado, 18 de agosto de 2012

SEM SENTIDOS


Já faz algum tempo que não escrevo a partir de filmes. Houve um período até que acharam que eu estava tentando tornar-me alguma espécie de crítico de cinema. Como expliquei, essa nunca foi a intenção. E continua não sendo, mesmo porque dessa vez comento a partir de um filme que abandonei pela metade e não sei nem mesmo como termina e foi justo pela angústia provocada pela perspectiva do final do filme que me fez desistir de assisti-lo todo. É bem provável que em outra oportunidade eu veja o filme completo, mas há dias em que não se está bem e isso acaba catalisando sentimentos como a angústia da temática evocada pelo filme. Contudo, o enredo não deixa de despertar reflexões posteriores e esse blog acaba sendo, como sempre, vítima desses pensamentos.

O filme, uma produção conjunta alemã, britânica, suíça  e dinamarquesa, de título original perfect sense, em português nomeado como "Sentidos do Amor", coloca um casal como pano de fundo de uma pandemia que assola a humanidade, onde um a um os sentidos, olfato, paladar, audição, visão e tato, vão sendo perdidos. Lembrem-se que não assisti tudo, mas o que importa aqui é pensar como seria uma vida sem sentidos. Na verdade, o que dá sentido a vida são justo os sentidos. São eles que fazem com que pessoas e fatos, parafraseando Milan Kundera, se inscrevam em nossa memória poética.

Acredito que o filme me deixou assim tão angustiado porque desde criança a ideia de perda de algum sentido sempre me assustou. Já adulto passei a encarar o fato de que estou perdendo o sentido da audição de um dos ouvidos. Imaginar perder todos os sentidos então, acaba potencializando esse medo. Mas dizem que uma das formas de enfrentar os medos é falar sobre eles. Talvez por isso esteja aqui nesta madrugada escrevendo esta postagem.

Sem o olfato, não teríamos memórias das mais marcantes. Pelas narinas nos vem o ar puro, ainda que engarrafado e também a fragrância única formada pelo contato do perfume utilizado com a pele da pessoa que se ama. As pétalas de rosas não se entranhariam tanto em nossa alma e o  cheiro do mato agreste após a chuva não deixaria tantas lembranças.

Sem o paladar, perde-se grande parte do sabor da própria vida, como o gosto de morangos com chocolate e vinho ou mesmo sushis comidos com indiscreta e bem humorada displicência. O sabor de um beijo diferente de todos os outros só é possível porque o cérebro consegue interpretar maravilhosamente o que nos quer comunicar nossas papilas gustativas.

Sem a audição... (arrepios me invadem). Sem a audição, o som daquela voz que não se esquece e não se quer esquecer nunca, não transformaria tanto os nossos dias. E o que dizer das músicas que fazem parte de nossa história e que nos transportam para momentos que ficaram eternizados?

Sem a visão não seria possível perceber que o mundo fica ainda mais colorido quando se sente uma emoção que nunca se experimentou antes. Sem a visão o rosto da pessoa amada e de pessoas queridas não fariam parte de nossa memória. O que dizer daquelas fotografias, com efeitos especiais ou não, que podem ser expostas nas paredes do quarto lembrando a felicidade vivida? Memória fotográfica literalmente... Mais sobre a fotografia...? Bem, disso já falei em postagem anterior...

Sem o tato, sem o contato, sem o abraço, sem o toque, sem a pele, sem a textura, sem o calor da água quente do chuveiro, sem o frio que pede agasalho e aquecimento, sem sentido...

Peço que não julguem o texto, ao menos dessa vez. Apenas aceitem-no, se possível, assim como está escrito. Sei que cada um pode dar sua própria interpretação e que o texto uma vez escrito não mais pertence ao autor, mas imaginem que é apenas um texto de alguém que tem medo e que está buscando formas de vencer esse medo, como que numa terapia, onde a fala é o meio de cura. Já escrevi textos com o objetivo de polemizar, de contrariar, até mesmo de agredir, mas esse é apenas para buscar um pouco de uma sincronicidade entre escritor e leitor, não para satisfação do ego, mas pela felicidade que se tem quando se lê o que se pensa e quando se escuta (audição de novo) que o que se escreve é exatamente aquilo que o outro pensa. Aquelas coisas que dão, enfim, sentido a vida...

sábado, 11 de agosto de 2012

PRENÚNCIOS


Noite de insônia, pra variar...

É, "variar" deve ser a palavra certa... Basta de ficar deitado na cama, rolando de um lado para o outro. Levanto, ponho calça, camisa e tênis, pego o carro e vou ao supermercado 24 horas. Pra que deixar para a manhã o que se pode fazer de madrugada? Sem estresse, sem pessoas apinhadas nas filas dos caixas, além de contar com o trânsito livre. Pode parecer pouco, é realmente pouco, mas não deixa de ter aquela sensação boa de liberdade, de não obedecer o convencional, de não fazer o que todo mundo faz. Se Jesus estava certo ao dizer que pequenos atos negativos prenunciam atos negativos futuros maiores, a lógica não deve ser diferente para outros tipos de atos. Assim, pequenas transgressões que trazem felicidade ainda que momentânea, de certo são prenúncio de transgressões maiores que causarão uma felicidade maior. É uma questão de fé, concordo, mas o que não é (mesmo) uma questão de fé? No rádio do carro, num volume bem acima do (meu) normal, toca Alagados, do Paralamas do Sucesso, que fala  d'"Arte de viver na fé", ainda que não se saiba "fé em que?".

Essa música, que tocou ainda na escura madrugada prenunciava um fato que viria a ocorrer um pouco mais tarde. Voltando para casa, depois das compras feitas com aquela tranquilidade esperada, o dia já claro, mas a cabeça, pensando em coisas mil nem havia percebido o amanhecer. Foi quando ele apareceu com sua conhecida força. O sol nascia  no horizonte com um brilho arrebatador, dependurado num céu, que como diz a música Boa Pessoa d'A Banda Mais Bonita da Cidade, é de uma beleza que caçoa. De imediato fico encandeado. Um risco para quem dirige, é verdade. Mas alguns riscos devem ser assumidos em prol da beleza. Por vezes, o próprio risco é prenúncio da beleza que há por vir. O sol parece rir de mim, se divertir com minha surpresa. Ele já conhece minhas surpresas com a natureza que eu pouco ligava antes, via lua, com a qual  tem uma relação mais do que próxima, pois é através dela que ele consegue iluminar as noites mais escuras e sombrias, especialmente dos insones de plantão. Mesmo dentro do carro com ar condicionado ligado no modo "pólo norte" (risos), sinto o calor que ele emite, como que querendo abraçar a mim e ao mundo de uma só vez e ele consegue, afinal de contas, Ele é o que é!

Aí lembro da música dos Paralamas... "Todo dia, o sol da manhã vem e lhes desafia, traz do sonho pro mundo quem já não queria..." e penso como cada dia é um novo dia, apesar de sempre parecer o mesmo. Parece-nos mais fácil achar que o dia, as pessoas e os fatos se repetem, que não mudam nunca, que sempre são e serão os mesmos. Não há como negar que é mais fácil, mais prático e menos desgastante pensar assim. Porém também poda a nossa capacidade de acreditar na mudança, no inesperado, no milagre. Só que mesmo pensando assim, o dia amanhece sempre diferente, o sol nunca nasce no mesmo lugar, o brilho não tem sempre a mesma intensidade. As mudanças podem ser até bem sutis, mas ainda assim são mudanças e mudanças sutis, uma a uma, podem causar verdadeiras revoluções. Mudanças sutis, são prenúncios das revoluções.

Quase chegando em casa, feliz pela conversa com o sol, o rádio resolve tocar Eu Quero Ser Feliz Agora do Oswaldo Montenegro. Ah, para que pressa de chegar em casa com um sol desses? Mais umas voltas no quarteirão para ouvir a música inteira, apreciando a beleza de versos como "se joga na primeira ousadia, que tá pra nascer o dia do futuro que te adora e bota o microfone na lapela, olha pra vida é diz pra ela: eu quero ser feliz agora!"

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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

CONTOS DA LUA #2: Doze Luas (agosto, 2012)


Esse segundo conto da lua, o primeiro dentro da promessa de que um novo conto seria postado a cada noite de lua cheia, quase não sai na data prevista. Acordei no meio da madrugada e me lembrei que da janela próxima ao meu computador, em determinada altura da noite, é possível ver a lua.  Dito e feito, lá estava ela, linda e maravilhosa. Uma noite de algumas nuvens, mas daquelas que apenas de vez em quando encobrem a lua dando-lhe um aspecto enigmático, silencioso, reflexivo.

Sentei-me no chão, próximo à janela, e fiquei ali admirando-a. Ela sem falar nada, parecia gostar de ser vista em sua completude. Não sei por quanto tempo permaneci no mesmo local, quase imóvel. Foi quando me dei conta que precisava cumprir a promessa dos contos. Só não sabia como e qual, pois foram tantas as histórias e tão belas que merecem ser todas contadas, porém não de qualquer forma, já que são histórias, de todos os tipos, das mais simples às mais inacreditáveis. Precisava de inspiração. Aí, me dei conta, que desde o dia, enfim, que eu olhei (mesmo, de verdade) a lua pela primeira vez, se eu fosse contar a passagem do tempo como os povos primitivos, diria que haviam se passado doze luas desde então.

Mesmo essa história do meu encontro com a lua já ter sido descrita em grande parte na postagem primeira sobre a lua ("Mundo da Lua") alguns fatos anteriores e posteriores podem ser ditos também, de modo que resolvi que o segundo conto da lua seria justo sobre mim e sobre a lua, ou ao menos sobre um pouco de mim e sobre um pouco da lua.

Lembro, como fato anterior, que o nosso encontro foi preparado com antecedência. Eu, como já confessei antes, nunca fui de observar a natureza e a lua nela se incluía. Mas numa noite de julho, eu no sítio de minhas tias no interior de Alagoas, com uma dessas insônias que me é tão comum, com todos tendo dormido muito cedo conforme costume da região, sem ter o que fazer, um tanto quanto entediado, resolvo ficar na cama tentando acessar pelo celular o facebook para ver se conseguia alguma distração para a noite que prometia ser longa. O sinal para variar era péssimo, mas de vez em quando dava um “traço” de cobertura no mostrador do celular e eu conseguia ler ou enviar um inbox, sempre demorando muito entre um e outro. Tentando explicar meu tédio, típico de viciado em tecnologias da modernidade, me disseram com sutileza: “tenta olhar a lua! Dizem que nesses locais ela fica ainda mais linda”. Confesso que o comentário mexeu comigo em algum lugar, mas o meu racionalismo típico tratou de abafar a mudança que já começava a se proceder dentro de mim, uma revolução silenciosa forjada ao longo dos anos a qual eu não atentava muito, apenas preocupado com o lado “sério e responsável” da vida. Mas aquelas palavras foram como sementes do evangelho que caíram em terra boa e acabaram por germinar no dia em que, sorrateira, a lua apareceu diante de mim em todo o seu esplendor, sorrindo de minha cara estupefata por nunca antes tê-la percebido assim. Ela disse que durou o tempo que foi necessário para que a plantinha começasse a nascer e que dali para frente nós dois passaríamos a ter uma relação muito mais próxima, de companheirismo, de cumplicidade até. Eu contaria minhas alegrias e tristezas, minhas histórias repetidas e aquelas que até então permaneciam em segredo, meus medos e minhas realizações, e ela, em troca me contaria histórias das pessoas que ela observou lá do alto durante todos esses anos.

Como fato posterior, que fica claro nas postagens ao longo dessas doze luas, não houve uma única noite onde eu não a procurasse no céu, em cada uma de suas fases, de seus momentos. Algumas vezes a sua posição em relação ao sol ou o tempo ruim não me permitiam vê-la, mas sempre havia a certeza que ela ali estava e que me ouvia e me ajudava a ser uma pessoa melhor. Incrível como observar coisas tão simples como o luar podem nos ajudar a ficar mais próximos de Deus. Lembro nesse instante de um livro de meu escritor preferido, o Rubem Alves, cujo sugestivo título é “O Amor que Acende a Lua”. Livro de crônicas, organizadas em sessões nomeadas com as fases da lua: nova, crescente, cheia e minguante. Numa das crônicas ele defende a necessidade de aulas de “escutatória” ou invés das aulas de oratória. Ele faz uma bela defesa da arte do ouvir, e a certa altura parafraseia um poeta dizendo: “não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma”. Sempre falei demais e ouvi de menos, percebi isso com a lua. Antes dela eu, de forma até um pouco arrogante, achava que era um bom ouvinte. Não era! Ela me mostrou que para ouvir de verdade é preciso paciência, contemplação, silêncio. Desde então tenho feito um esforço para ouvir de verdade e nesse exercício tenho percebido porque ela, a lua, sempre tão silenciosa, tem tantas histórias por contar, porque ela sabe ouvir as tantas pessoas que a ela recorrem todas as noites.

Paro um pouco de escrever e me volto para a janela de onde posso vê-la e surpreendentemente não há mais nenhuma nuvem a encobri-la. Ela nada fala dessa vez. Em sua escuta silenciosa deve estar oferecendo sua luz, tomada emprestada do sol, para clarear a vida de tantos de nós que nos encontramos no escuro, depois de dias difíceis onde tudo parece não ter solução. Ela parece querer, com seu brilho estonteante, nos ensinar que também somos luz, que também podemos espalhar essa luz, que ao iluminar o caminho dos outros estamos, também nós, iluminando um pouco o nosso próprio caminho.

domingo, 29 de julho de 2012

ABRAÇO

Algumas coisas só são compreendidas tempos depois...

Anos atrás minha mãe trouxe de uma reunião da igreja uma mensagem sobre o valor do abraço e fez questão de nos mostrar, a mim e a meus irmãos, pois era uma mensagem bonita. O engraçado é que ela própria nunca foi dada a abraços, razão talvez pela qual eu sempre tenha tido dificuldade com tais gestos. Confesso que não me empolguei muito com a mensagem, achei até um pouco piegas, mas ela estava tão empolgada que eu, como bom filho, concordei com a "beleza" da mensagem. (Para ler essa mensagem, clique AQUI)

O tempo passou e um abraço me trouxe essa mensagem à memória. Memória essa que me causou um susto dois  dias atrás quando estava dirigindo e por cerca de um minuto, talvez um pouco mais, fiquei sem saber em que rua estava e de onde estava vindo, mesmo sendo um caminho bem conhecido. Acho que é normal de vez em quando ter esses "apagões", mas é uma sensação bem estranha e refletindo sobre o fato, uma certa aflição recaiu sobre mim e um medo antigo, o de esquecer de momentos importantes da vida, ressurgiu com força. E um desses momentos foi justo o abraço que trouxe a mensagem de minha mãe de volta do passado.

Ao lembrar desse abraço, percebi que a mensagem fazia sentido e entendi enfim o por quê da alegria de minha mãe quando a mostrou pra nós. Naquele momento eu ainda não entendia quão precioso pode ser um abraço. É, algumas coisas só são compreendidas tempos depois...

Deus, que minha memória não me deixe esquecer daquele abraço!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

POR QUE EXISTE A GESTÃO DE PESSOAS? (Sobre Feitores e Mentores)

Por esses dias escutei a pergunta que dá título a essa postagem. Na verdade, a pergunta saiu mais como um desabafo do que mesmo como um questionamento e embora tenha sido dita em contexto bem específico, ela ficou na minha cabeça, dando voltas como só as boas perguntas sabem fazer. Não, não vou aqui apontar respostas, conclusões, definições ou qualquer coisa parecida. Certamente não fará diferença alguma o que pretendo escrever, pois é apenas uma fotografia das elucubrações que minha mente fez ao ser submetida à roda viva de tão intrigante pergunta, catalisada pela própria liberdade de pensamento que me permiti dar, usando a questão apenas como um mote para raciocinar (ou racionalizar, dirão talvez os psicólogos). 

Lembro agora de saudoso professor que para "alfinetar" os adeptos, como eu, das abordagens mais comportamentais da administração, em uma de suas aulas nos disse que o primeiro gestor de pessoas que se tem registro histórico no Brasil foi o feitor de escravos. E não é que foi mesmo! Se foi uma "alfinetada", foi brilhante como o era também o professor. O fato é que a gestão de pessoas existe porque existem pessoas. Pode-se ser um gestor de pessoas bom ou deficiente, humano ou impessoal, companheiro ou tirano, servidor ou sádico, tolerante ou intransigente, mas se alguém lida de alguma forma com pessoas, seja no trabalho, em casa, na rua ou na mesa do bar, a pessoa é, quer goste ou não, um gestor de pessoas, cabendo-lhe apenas optar por qual tipo de gestor de pessoas lhe parece mais adequado, lhe cai melhor, lhe revela sua essência, seus princípios, suas ações: se um gestor de pessoas "feitor"; ou um gestor de pessoas "mentor". Ah, e por favor não me venham taxar-me de radical ou, pior ainda, me acusar de categorizar sem base científica tais polos. Se não ficou perceptível no primeiro momento, essa é uma dicotomia poética. Vale mais pelo efeito da rima (feitor/mentor) do que propriamente pela "cientificidade" da intransigente taxonomia que adora colocar tudo em "caixinhas" bem arrumadas. 

Nietzsche dizia que ninguém tira de um livro mais do que tem dentro de si. Concordo e amplio o pensamento, se assim me permitem, defendendo que ninguém, ao lidar com o outro, age diferente daquilo que tem dentro de si. Podemos até não gostar do "eu" que descobrimos nessas horas, mas ainda assim será o "eu". 

Durante muito tempo a conversa de valorizar as pessoas nas organizações  foi apenas um discurso bonito de manipulação. Ainda hoje há muito (muito mesmo!) disso, mas não mais "apenas" disso. Olhando a história em perspectiva, percebemos que no modelo agrícola-feudal detinha o poder quem possuía a "terra"; no modelo mercantil-industrial o poder estava com o detentor do capital; mas no modelo informacional para o qual estamos caminhando a passos largos, o que importa não é tanto o capital, nem muito menos a "terra", mas o conhecimento. Obviamente que ter "terra" e capital ajudam, mas não determinam necessariamente quem terá acesso ao conhecimento. Pela primeira vez na história da humanidade o poder está nas mãos dos trabalhadores (que possuem conhecimento) e numa sociedade que a cada dia estabelece mais seu funcionamento sobre essa base informacional, escolher agir como feitor é não só cada vez mais obseleto como também pouco inteligente. E não adianta querer fingir ser mentor, pois na era da metáfora da informação que ocupa aos poucos a metáfora da máquina, não há nada mais valioso do que a autenticidade. Do mesmo jeito que informação falsa é informação sem utilidade, um gestor não autêntico é sério candidato a servir de deboche, como acontece com a personagem do Steve Carell no seriado The Office, um chefe que "se acha" mas que não é  levado a sério por ninguém.

Jesus voltando hoje à terra talvez atualizasse suas bem aventuranças para algo do tipo: bem aventurados os que se sensibilizam, os que se emocionam, os que são autênticos, os que percebem (realmente) que do outro lado da mesa do escritório, que na caixinha de baixo do organograma, que na carteira escolar a sua frente, que na maca funcionalmente disposta nos ambulatórios, que no aconchego dos lares ou que nos sites de relacionamento, não estão apenas empregados, subordinados, alunos, pacientes, filhos ou amigos, mas sim pessoas, seres humanos, sensíveis, complexos, contraditórios, maravilhosos, enfim, gente! 

Fui testemunha ontem de uma belíssima ação de mentoria para com pessoas com quem a vida não tem sido muito fácil, pessoas simples, mas muito humanas, demasiadamente humanas como diria novamente o Nietzsche. Da mesma forma que, como diz um provérbio de um local que não lembro qual, quem realiza seu trabalho como máquina torna seu agir como máquina, quem faz seu trabalho de forma humana torna a (nossa) vida mais humana. Que bom que existem pessoas assim no mundo, bem aventuradas, bem aventureiras! 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

CONTOS DA LUA #1: Luiz e Maria (julho, 2012)


A série sobre "Contos da Lua" foi idealizada na postagem "Mundo da Lua" e comentada em outras postagens (clique AQUI para lê-las) que têm, neste blog, a palavra "lua" como tag. Na última dessas postagens, "Sobreviver (um preâmbulo aos contos da lua)", prometi que a cada nova lua cheia, poria no ar um novo conto da lua, exceto o primeiro desses contos, agendado para o meio desse mês, mesmo sem ser lua cheia, porque remonta a uma data especial acontecida há quase 40 anos, data, à época, que ocorreu sob lua cheia. A data era 14 de julho, porém, por uns compromissos assumidos de última hora, só hoje estou conseguindo pôr no ar o primeiro conto da lua: a história de um casal que durante anos sonhou um com o outro tendo a lua como elemento de ligação, que se conheceram há pouco mais de 40 anos, começando a namorar em seguida, e que num 14 de julho, dia da queda da Bastilha, marco da Revolução Francesa, há 39 anos, ficaram noivos, vindo a casar pouco mais de 2 anos depois. Esse conto é a versão da lua para o amor de Luiz e Maria, meus pais.

Ele nasceu no interior de Alagoas. Ela no interior de Pernambuco. A cidade dele protegida por Santana, mãe de Maria. A dela, protegida por São José, esposo de Maria. Santana do Ipanema e Bezerros, os nomes da cidade. Mas não nasceram no centro, nasceram na área rural. Ele num povoado chamado Queimadas do Rio e ela num lugarejo chamado Beira do Rio. O rio dele era o Ipanema, o dela o Ipojuca, ambas palavras indígenas que significam "água sem peixes" e "água escura", respectivamente. Ambos nasceram sob luas cheias. Ele nasceu no dia de São João. Ela no dia do professor. Coincidentemente os três filhos deles seriam mais tarde professores.

Ele, a noite, olhava para a lua e desejava ir para um lugar maior onde pudesse trabalhar no que gostasse e não no roçado. Ela, a noite, olhava para a lua e desejava ir para um lugar maior onde pudesse estudar. Ele sempre foi muito traquina. Ela sempre muito esperta. Ele muito sorridente. Ela muito séria. Ela veio primeiro para o Recife, na verdade Jaboatão, bairro de Cavaleiro. Ele veio depois para o Recife, na verdade Olinda, bairro de Ouro Preto. Ela foi morar com os avós paternos. Ele com os tios. Acabaram se encontrando, agora sim, em Recife, na mesma rua, Direita, centro da cidade, trabalhando em lojas quase de frente uma para a outra. Ele insiste até hoje que era ela que olhava para ele. Ela jura que era o contrário. O que ninguém explica é como um sabia que o outro olhava. A lua acabou o mistério, eles olhavam, disse-me ela, alternadamente, um para o outro, talvez por isso explique-se o fato de que minha cena de cinema favorita seja a de um casal fazendo coisa parecida (para ver a cena no youtube, clique AQUI).  O poder do olhar...

Um dia, final de tarde, começo da noite, ela larga do trabalho para ir à escola. No meio do caminho uma chuva, uma chuva no meio do caminho. Ela se protege debaixo da marquise de uma loja. Ele havia saído antes, mas a chuva o pegou também no caminho e lembrou-lhe do guarda-chuva esquecido. Voltou para buscar. Enquanto voltava a encontrou. Disse-lhe para esperar que ele estava indo buscar o guarda-chuva e lhe daria uma "carona". Ela esperou. Ele a levou à parada. Ele pegou o mesmo ônibus que ela, que ia para o lado oposto de onde ele morava. Iria fazer companhia a ela até o colégio. Bem, nesse dia ela não assistiu aula. De modo irônico, pode-se dizer que três professores vieram ao mundo porque a mãe deles, uma vez na vida, resolveu matar aula, tentada que foi pelo simpático pai deles que tinha uma conversa eloquente e cativante. A lua que testemunhou aquela primeira conversa e o início daquele namoro era crescente, tão crescente quanto o amor deles se mostraria ao longo dos mais de 40 anos que se seguem desde então.

Nem tudo foi tão perfeito. Brigaram por motivo que mereceria uma crônica só sobre isso (quem sabe um dia) e o afastamento deles foi doído demais um para o outro, e doído para a lua que não mais via junto o casal que ela um dia viu nascer, crescer, sonhar, lutar, se encontrar e se apaixonar. A reconciliação ocorreu quando o avô dela adoeceu e ele foi ao hospital fazer uma visita. Ela o acompanhou quando saia e descendo pelas escadas, olhando um para o outro, ele a pegou em seus braços e a beijou. Ambos sentiam muita falta um do outro. Será mais uma coincidência que a segunda cena de cinema que eu mais gosto (cena com o mesmo casal mas num segundo filme, que é uma continuação do primeiro) seja justo numa escada? (Não encontrei a cena completa no youtube, mas AQUI há um link para o thriller do filme e em 1'38", mais ou menos, dá para ver um curto trecho da cena).  Como a reconciliação aconteceu na escada, a lua não viu o beijo, mas deu seu testemunho de que a luz havia voltado ao olhar daqueles dois jovens, luz que refletia a luz da lua que refletia a luz do sol, reflexos de um amor sem tamanho.

Mas a prova definitiva ainda estava por vir. Pouco tempo depois do noivado naquele 14 de julho, ele foi transferido para Salvador, onde passou cerca de um ano. Numa época onde telefones fixos eram raros e caros, onde celulares com ligações mesmo que limitadas não existiam, mensagens de sms não eram nem mesmo sonho e e-mails só em ficção científica, aquele amor se sustentou a base de cartas que demoravam alguns dias para chegar ao seu destino. E foram centenas de cartas que os filhos se divertiram muito lendo, anos depois, quando foram reunidas em vários blocos. Riam daquelas cartas tão sensivelmente ridículas, pois como disse Fernando Pessoa, "todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas". Só quem ama entende o que dizia aquelas cartas ridículas, narrando pequenas coisas do cotidiano e a saudade que aplacava aqueles dois corações separados por mais de 800km. A lua foi de extrema importância nesse momento. Eles mandavam recados um para o outro através dela. E quantas vezes, ao olharem ao mesmo tempo para a lua, pelo seu reflexo, se viam e se amavam ainda mais.

E eles se casaram em noite de lua cheia. E em noites de lua crescente, uma em dezembro de 1976, outra em fevereiro de 1978 e a última em fevereiro de 1982, a família cresceu. E cresceu o número de histórias que a lua poderia contar sobre o amor daqueles dois. Vou contar uma das mais recentes. Ela foi diagnosticada meses atrás com uma doença muito séria que careceria de uma complexa cirurgia no cérebro e de um tratamento posterior. No hospital ele fez questão de ficar a maior parte do tempo possível com ela. Ele que sempre sorria chorou várias vezes, mesmo tentando ser forte na frente dos filhos. A lua testemunhou a conversa das enfermeiras que se admiraram de como eles se amavam, de como ele a beijava sempre e com muito carinho, mesmo depois de tantos anos casados. No dia da cirurgia que durou quase 10 horas ele não arredou o pé do hospital. Eu estava ao lado dele praticamente todo o tempo e dava pra entender o que o Nando Reis quer dizer quando canta "...pra você guardei o amor que aprendi vendo os meus pais..." 

Minha fé de filho ainda é pouca, admito, mas a fé que surge do amor salva e cura, e embora ainda em tratamento, o fato dela ter saído da cirurgia sem sequelas e estar se recuperando a cada dia, mostra que a cura diária acontece mesmo pelo amor, disso não tenho mais dúvidas.

Minha oração é para que Deus continue a abençoar esse amor tão antigo para que a lua possa me contar feliz, novas histórias sobre eles, mesmo que elas não venham parar aqui neste blog, até porque a lua quer que eu conte outras tantas histórias que ela testemunhou em suas mais diversas fases. Assim, até a próxima lua cheia!

sábado, 7 de julho de 2012

CUIDAR


Ao contrário de minha postagem anterior, mais impulsiva, esse texto está mais condizente com o espírito do blog pois vem de longa data a vontade de escrever sobre o assunto. Falar de doença nunca é fácil, talvez por isso a dúvida sobre conseguir ou não falar sobre. Bem, talvez uma doença, digamos, mais física fosse um pouco mais fácil, mas uma doença de fundo psicológico carrega sempre uma certa dose de preconceito, como se pegar uma gripe fosse aceitável, mas ter depressão, não. Confesso que o preconceito primeiro e maior foi mesmo meu, em relação a mim mesmo, embora não seja fácil para as pessoas encarar esse tipo de doença, pois não somos ensinados a lidar com isso. Talvez por essa razão também, para poupar as pessoas do constrangimento de não saber o que dizer, que acabei contando para um número muito reduzido de pessoas e mesmo nessa pequena amostra deu pra sentir como é difícil lidar com alguém assim. A quem ler essa postagem peço, se possível, que não se preocupe em falar algo da próxima vez que nos encontrarmos, apesar de tudo, continuo sendo o mesmo de sempre, ou talvez não, mas o importante é que é algo que faz parte da vida e da natureza humana, mais comum do que podemos supor, por isso, relaxa (risos). Eu tenho ouvido tantos desabafos de pessoas que passam por problemas semelhantes e que me pedem conselhos, que não estive sendo honesto em não contá-las que o que me faz entender tão bem e ter uma afinidade fora do comum, como me disseram outro dia, com pessoas que passam por tais dificuldades, é justo por experimentar em mim mesmo, tudo aquilo que me contam reservadamente.

Há pouco mais de um ano atrás recebi o diagnóstico da depressão. Embora vários indícios e fatos anteriores (alguns bem anteriores) já indicassem isso, os sintomas e sentimentos à época não deixaram dúvidas. Meu médico então, me sugeriu fortemente procurar um terapeuta, indicando até um nome. Confesso que saí do consultório abatido, embora nada surpreso, pois era algo já evidente, mas ouvir o diagnóstico não foi fácil. Fiquei com o nome e o telefone da terapeuta por vários dias, pensando se ligaria ou não. Decidi procurar no google qualquer coisa que me falasse sobre a profissional, mas é evidente que as reservas do processo terapêutico não estariam assim expostas na Internet e sim, nem tudo está na rede. Por coincidência (ou seria melhor dizer sincronicidade?), quando desisti de saber algo mais sobre a terapeuta, ao entrar no facebook, me deparei com um convite para participar de um grupo de arteterapia que começaria em poucos dias, com apenas 10 vagas disponíveis. Não sabia realmente do que se tratava, mas tomado por um impulso pouco comum a mim nesses assuntos, de imediato enviei um e-mail pedindo mais informações. Fui respondido rapidamente pelo facilitador e acabei confirmando minha inscrição no grupo.

De certa forma a razão pela qual estou escrevendo agora é porque neste dia de hoje, 07 de julho (7 de 7, e o 7 é um número que merece uma postagem só para ele), faz um ano do primeiro encontro do grupo. Fui apenas para ver como era, dizia para mim mesmo. Acabei indo, a partir daquele dia, até o final do ano, todas as quintas-feiras à noite para o encontro. E se alguém ouviu de mim qualquer justificativa para não ir a algum compromisso na quinta à noite, tal como "grupo de estudo", "preparação de seminário para o dia seguinte no doutorado" ou outra explicação esfarrapada qualquer, peço que me desculpe. Não fiz por mal. Éramos 10 no primeiro encontro; 5 no último. Mas não éramos certamente, os mesmos 5 daquele grupo de 10 do primeiro dia. Muito em nós começou a mudar ali e continua até hoje...

Nesse primeiro dia, de posse do endereço, terceiro andar de um prédio do Recife Antigo, chego num bar onde ninguém sabe de nada. Dou voltas em torno do local e já pensando em desistir resolvi fazer uma última tentativa ligando para o facilitador e depois dele me atender dando o bar como ponto de referência, que era em frente ao prédio correto, entendi que, por uma dessas loucuras de quem determina os endereços, a rua tinha a mesma numeração tanto do lado esquerdo quanto do direito. Descobrindo enfim o local, subi até o terceiro e último andar do prédio em uma escada que rangia mais do que em filmes de terror. O aspecto sombrio do prédio antigo também não ajudava muito, mas incrivelmente eu subi com muita confiança e só mais tarde, quando o facilitador evocou a possibilidade de que alguns de nós talvez tivesse ficado ressabiado com a escada e a aparência do prédio, foi que eu percebi que deveria ter me sentido assim, mas não fiquei. Durante o encontro e em outros tantos mais, certamente como um mecanismo de defesa, procurei me abstrair da situação como se eu estivesse ali para observar e ajudar os outros e talvez aprender algo que me ajudasse em sala de aula, sem reconhecer que eu precisava de ajuda. Isso foi mudando aos poucos e talvez até hoje não tenha mudado completamente, mas mudei muito minha postura ao longo das semanas.

Não vou falar das pessoas do grupo e nem do que lá acontecia, até porque o processo terapêutico é reservado, mas posso dizer que me impressionou muito como cada atividade artística que realizamos contava mais um pouquinho de cada um de nós e até de mim que sempre fui muito reservado para a maioria dos assuntos. O tema escolhido pelo facilitador para o grupo é o mesmo que dá o título dessa postagem, "cuidar", e isso sincronicamente tinha muito a ver com o que me levou até lá. Era preciso sim cuidar dos outros, mas sobretudo, cuidar de si próprio. A lição é tão difícil de aprender que ainda hoje incorro nos mesmos erros, mas ao menos reconhecer-se errado ou talvez limitado seja o princípio da mudança. Assim espero, pois os encontros acabaram enquanto entidades físicas, concretas, objetivas, reais, mas continuam enquanto momentos que passam a fazer parte da vida da gente. Dá para entender melhor o que a raposa disse ao pequeno príncipe no livro do Exupéry de que tudo valeu a pena pelos "campos de trigo". Na passagem o príncipe se despede da raposa que, na sequência, diz que vai chorar, mas que valeu a pena toda a amizade, porque sempre que ela olhasse os campos dourados de trigo lembraria dos cabelos dourados no pequeno príncipe. Assim, não são com os mesmos olhos que hoje vejo tintas, lápis, cartas de tarô, máscaras, músicas, papéis, recortes... tudo valeu a pena, muito a pena, tudo foi, é, e sempre será muito "ok".  E por falar em olhos, talvez tenha sido o principal elemento que me "perseguiu" durante aqueles meses... como foi difícil olhar nos olhos, falar sobre o olhar, ouvir falar sobre não olhar e como foi bom aprender a "olhar nos olhos", a enxergar com os olhos da alma, enfim com os dois olhos e não apenas um, como nuns bonecos japoneses que também fizeram parte dessa história.

Hoje, passado exatamente um ano, bate aquela sensação de não ter conseguido avançar. Sei que meus amigos de jornada no grupo arteterapêutico também de vez em quando pensam assim. Mas da mesma forma que não se atravessa o mesmo rio duas vezes, porque nem o rio e nem nós somos os mesmos, ao menos estamos diferentes, mais felizes quem sabe, mas com certeza mais fortes e mais preparados para enfrentar os nossos próprios medos, anseios, dúvidas... A vida tem seus altos e baixos como nas montanhas-russas, mas isso é quase mais um detalhe. Que esta mensagem nos ajude a cuidar mais, dos outros e de nós mesmos. Sempre!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

LIÇÕES DA MADRUGADA


Essa não é uma postagem característica desse blog, onde as ideias são trabalhadas aos poucos até se amarrarem em um texto que reflita um pouco daquilo que penso. Essa postagem é mais impulsiva, por isso que não se espere dela nenhuma amarração mais elaborada ou mesmo mais sofisticada.

Mais uma dessas noites de insônia, sem a leveza característica de tempos de outrora, e zapeando pelos canais da TV para me distrair de alguma forma, resolvo assistir as entrevistas do Programa do Jô e dentre elas a entrevista que me fez vir aqui querer escrever algo ainda que sem noção de exatamente o que.

A segunda entrevistada foi a Eliana Zagui, escritora e pintora. Contudo o mais inusitado é que Eliana, vítima na infância de poliomielite, tem o corpo inteiro paralisado exceto por alguns músculos do rosto que a permitem através de técnicas específicas pintar, escrever, usar notebook e celulares. Eliana tem dificuldades para respirar e o mais impressionante é que mora desde os dois anos de idade no Hospital das Clínicas (creio que do Rio de Janeiro). Hoje ela tem 40 anos. Ou seja, quando eu nasci ela já morava há pouco mais de dois anos num hospital.

Fiquei pensando, no início da entrevista, quão angustiante deveria ser a vida dessa mulher, até porque, não ter movimentos como ela, sempre foi um de meus grandes pesadelos, e acabei percebendo que eu, com todos os movimentos, talvez me angustie mais do que ela pois acabo não valorizando as pequenas coisas do dia-a-dia, como por exemplo, poder estar aqui no notebook digitando esse texto, partilhando esse momento.

Pensando nessas pequenas coisas, pensei como é uma experiência ímpar, de completude, saborear determinados gostos, sentir certas texturas, olhar fotografias de alguém especial, sentir um cheiro que não se esquece nunca, ouvir uma voz que mexe com nossas emoções. E ficamos nós preocupados com tantas coisas sem importância, catalisando nossos problemas de modo a nos tornarmos reféns de situações criadas por nós mesmos, presos ao ontem e ao amanhã, esquecendo de viver o hoje, de pensar o presente, de valorizar a alegria de estar vivo e a certeza de saber que existem pessoas a quem amamos e que nada que aconteça pode mudar esse sentimento, pois quando é amor, é para sempre.

Obrigado Eliana, obrigado por me mostrar de forma prática, dura e direta que felicidade é apenas uma questão de ser. Eliana é feliz. Eu quero ser feliz como ela é. Boa noite! Hora de deixar a insônia de lado, rezar (muito) e dormir. Amanhã é um novo dia e isso não é retórico, é realidade.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

SOBREVIVER (um preâmbulo aos contos da lua)

Terminei minha última postagem citando passagens da música "Tocando em Frente", do Renato Teixeira e do Almir Sater. Retomando-a, se não me sinto mais feliz (ou até me sinta, quem sabe), certamente "hoje me sinto mais forte". Considerando que há um ano atrás, nesses mesmos primeiros dias de julho, cheguei a achar que não havia luz ao final do túnel, embora ainda me considere perdido na escuridão desse mesmo túnel da vida, aprendi que a luz não precisa estar apenas no fim, mas no próprio caminho, luz emitida por pessoas que passam e pelas que são companheiras de jornada. Bem aventuradas porém são aquelas pessoas que nos ensinam a enxergar nossa própria luz, que nos encontram com menos de dez por cento de nosso potencial e nos ajudam a multiplicar essa força interior que a psicologia chama de anima. Uma vez que a tenhamos encontrado, que tenhamos percebido que a fonte geradora dessa luz está dentro de nós mesmos, não há como se esquecer disso mesmo diante de uma aparente escuridão, pois "cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz".

Antes, fazia distinção entre "viver" e "sobreviver", como se o segundo fosse necessariamente negativo. Pode ser que sim, mas também pode ser que não. Maslow em sua teoria da hierarquia das necessidades para explicar a motivação, já mencionava que é preciso suprir as necessidades mais básicas antes de aspirar necessidades mais elevadas. Embora isso não seja um caminho único, certamente é um caminho lógico ou ao menos um caminho possível. Antes de desejar sonhos maiores, antes de almejar viver intensamente, pode ser preciso sobreviver. Sobreviver às adversidades, sobreviver às próprias limitações, sobreviver à escuridão. Pois são as adversidades que nos ensinam a viver a intensidade. São as limitações que nos ensinam a viver todo nosso potencial. E como diria outra música, "não haveria luz se não fosse a escuridão".

Assim, hoje voltei a fazer yoga, aprendendo a me manter firme mesmo nas posturas mais desconfortáveis, a respirar lenta e profundamente, e a relaxar ante toda a tensão do mundo. Resolvi tornar a buscar a sincronicidade e pouco antes da sessão da yoga, folheei uma revista onde três matérias em sequência falavam, "coincidentemente", de três aspectos de minha vida que eu já havia notado que precisava mudar: aprender a dizer não, ter um pouco mais de autodisciplina e melhorar minha alimentação. Se minha vida fosse um "Show de Truman" as câmeras teriam captado em close a minha cara estupefata diante desta sincronicidade pessoal. Pode ser até que não diga nada para a grande maioria das pessoas, mas disse muito, em alto e bom tom, para mim. Isso foi antes da yoga. Depois, enquanto dirigia para casa, me deparei com ela olhando intensamente para mim. Sim, ela, a lua. Estava cheia e bela como sempre, com seu olhar de pesquisadora, um tanto quanto distante, mas era ela ainda, a mesma que me contou tantas histórias e que me prometeu contar tantas outras e que me comprometi a escrever sobre elas aqui (para quem não entendeu essa última referência, sugiro dar uma lida na postagem No Mundo da Lua).

A lua me disse então, que está na hora de colocar em texto algumas das histórias que ela me contou, nem tanto porque as histórias precisam ser contadas, mas porque eu preciso contar histórias e me pediu que eu fosse disciplinado ao fazer isso. De modo que a prometi que a cada lua cheia eu escreveria sobre um novo "conto da lua". Contudo, uma exceção para a primeira das histórias, pois é uma história especial e será postada aqui somente no meio do mês, para comemorar o aniversário de uma data de muitas décadas atrás. Naquela data, era lua cheia! Então o conto da lua cheia desse mês de julho será um conto de lua cheia de décadas atrás. Nos meses seguintes, se minha autodisciplina planejada funcionar, a cada nova lua cheia postarei um novo conto da lua, histórias de pessoas que a lua acompanhava, por vezes antes mesmo dessas pessoas se conhecerem.